Ouço muito por aí: ‘não vá deixar a peteca cair!’ ‘Nessa vida tem que ter jogo de cintura, não pode perder o rebolado, nem descer do salto.’ Não deu certo (um namoro, um emprego, um alvo) parta pra outra, rapidinho! Se deu mal num caminho, nem pense, vá logo buscar outro. Afinal, a vida é muito curta para estar parado, mal amado, solitário e desempregado. Arranja logo um ‘substituto’, o quanto antes, ponha logo na mira o plano B. Aliás, tenha sempre um plano B! (que muitas vezes é muito parecido com o A, mas mudam-se os protagonistas, os coadjuvantes e o cenário. Ás vezes o plano B é simplesmente viver a mesma vida em outra cidade, país, terreno. Se você for o mesmo, seu plano B é apenas um plano A disfarçado). Mas não importa! A ideia é não parar, nessa vida a gente não pode parar! Para ser feliz e importante, tem que estar ativo. Por isso mantenha-se ligado, mantenha-se amado e amável, mantenha-se amando, querendo, desejando, mantenha a postura, o gingado e o nariz levantado. É o que dizem por aí. Mas aí a vida diz corra, e lá no fundo do seu coração há um pulsar mais fraco, de velhinha querendo cama, mesmo que solitária. Há uma respiração frouxa, um cansaço desse andar desenfreado, há um ritmo que descompassou e pede quietude. Há uma vontade, bem lá no fundo, de não resolver nada agora, nessa hora de desencontros, derrotas e abandonos. Há uma vontade de sair da dança para pegar um pouco de fôlego nas margens da vida. Acabou a energia pulsante, não há lágrimas e nem vontades. Os sentimentos estão desérticos, a alma não quer renascer agora, esta alma que já teve algumas primaveras este ano. Agora está hibernando. Deixe ela quieta! Parar não é morrer, não é vegetar, muitas vezes é apenas meditar, respirar fundo, entender para voltar feito borboleta: voando leve e mais colorida ainda. Não deixar a peteca cair, emendar um voo no outro, desdobrar o plano B antes mesmo que o A tenha se findado, pode significar uma queda mais vertical no final. Pode significar que nasça uma borboleta de uma asa só. Há um tempo de maturação entre um final e um começo. Por isso, deixe sim a peteca cair, descompasse, fique na cama no sábado à noite, não faça as malas ainda. Pode ficar um tempo fechado para balanço, organizando o estoque dos sentimentos ou apenas respirando, sentado na encruzilhada de um mundo absurdo que não para te pedir tudo quando você já não pode oferecer nada. Não ainda.

Por Clara Baccarin

Assim como o artesão recupera a sua peça mais valiosa que caiu no chão, sem duvidar de que aquela é a tarefa mais importante.
Você é a criação mais valiosa. Não olhe pra trás. Não olhe para os lados.
Olhe somente para dentro, para bem dentro de você e faça dali o seu lugar de descanso, conforto e recomposição.
Crie este universo agradável para si.
O mundo agradecerá o seu trabalho.

Brahma Kumaris

"Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade."

Albert Camu

VENDE-SE TUDO
No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento.
Outra mãe que estava ao meu lado comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.
Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes.
O resto, eu vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém a parecesse. Sentados no chão.
O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite, era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante.
Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas.
Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu.
No penúltimo dia, ficamos somente com o colchão no chão, a geladeira e a tevê.
No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.
Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo.
Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto isto, que se torna cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que elas estiveram presentes na minha vida.
Desejo para essa mulher, que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos, a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha dois anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio.
Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.
Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde.
Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza:
"Só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir”. É melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ!
Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza, plenitude e felicidade.
São os momentos especiais que não tem preço, as pessoas que estão próximas da gente e que nos amam, a saúde, os amigos que escolhemos, a nossa paz de espírito.

Texto de Martha Medeiros
 

"Por um momento me fiz cinza,
na chama do fogo que me queimou.
Por um momento me fiz brisa,
no vendaval que por mim passou.
Por um momento me fiz lágrima sentida,
por um suspiro que de minha alma brotou.
Por um momento me fiz sorriso apático,
dizendo adeus para quem nunca ficou.
Por um momento me fiz vôo na imensidão,
saindo do cárcere da solidão.
Por um momento me fiz água límpida,
no deserto da minha dor.
Por um momento me fiz senhora
deixando ir a paixão que me magoou
Por um momento vi que a vida
é um vai e vem de acontecimentos
que acontece em momentos"

(Kasolares Karvallo)

Eu nunca fui espiritual no sentido em que você entende a palavra. Nunca freqüentei templos ou igrejas, ou li escrituras, ou segui certas práticas para encontrar a verdade, ou adorei a Deus ou orei a Deus. Esse não foi meu caminho, absolutamente. Assim, certamente você pode dizer que eu não estava fazendo nada de espiritual.Para mim, espiritualidade tem uma conotação totalmente diferente. Ela precisa de uma individualidade honesta. Ela não permite nenhum tipo de dependência. Ela cria uma liberdade para si mesma, qualquer que seja o custo. Ela nunca está nos aglomerados, mas sozinha, porque o aglomerado nunca encontrou nenhuma verdade. A verdade sempre foi encontrada na solitude das pessoas. Assim, minha espiritualidade tem um significado diferente da sua idéia de espiritualidade. Espiritualidade, para mim, simplesmente significa se encontrar.

Osho

Quanto maiores e mais complicados são os meus problemas, só provam o quanto é imensa a minha incapacidade de lidar com o simples...
E mais distantes ficam as soluções.
Na verdade a maioria dos problemas que a gente tem é bem menor que as cargas que pomos em cima deles, para os agigantar.
Medo, má vontade, implicância, preguiça, traumas, fantasmas e tabus...
Esses sim, são os verdadeiros problemas.
O que está embaixo deles, é poeira.
Quando a gente tá perdendo o sono e consequentemente o juízo por conta de algo, devíamos nos fazer a seguinte pergunta:
- Qual é mesmo o problema? 
Às vezes nem sabemos mais o que é, só sentimos o efeito do nosso drama à nos flagelar.
Bora simplificar as coisas, bora enfrentar os camundongos antes que os transformemos em rinocerontes de 3 cabeças...
Aí quero ver conseguir driblar um bicho desses!
Uma grande parte das cargas que arrastamos por toda nossa vida bastava simplesmente deixada de lado...
Esquecida mesmo, tratada como secundária.
Daí deixaríamos o foco livre pra se fixar noutros alvos bem mais interessantes...
Deixa a tua atenção se derramar pros afetos, pros carinhos, pro que nos faça sorrir de graça...
Pro que dê razão pra viver.
Problemão? Crise? Fim do mundo?
Tô fora, a minha moda é a paz...
E paz, só tem quem por fim entende que ela desabrocha, espontaneamente, de tudo que é simples...
Nem precisa nem buscar, vem sozinha mesmo.
Mas se esconde, dos que tem mania de amontoar motivos pra sofrer.

Gi Stadnick

“As pessoas estão sempre culpando suas circunstâncias pelo que elas são. Eu não acredito em circunstâncias. As pessoas que progridem neste mundo são as pessoas que se levantam e procuram pelas circunstâncias que elas querem, e, se elas não conseguem encontrá-las, elas as fazem.”

George Bernard Shaw

Que Deus esteja dentro de você hoje...
Que você creia estar exatamente onde você deve estar.
Que você acredite nas infinitas possibilidades que nascem do destino.
Que você usufrua as graças que recebeu e passe adiante o amor que lhe foi dado.
Que você seja feliz sabendo que é um filho de Deus.
Que você deixe a presença de Deus entrar no seu corpo e permita à tua alma a liberdade de cantar, dançar, orgulhar-se e amar.
ELE está lá, para cada um de nós.

Madre Tereza de Caucutá

Quando você me deixou, meu bem.

Era uma vez uma bela princesa que vivia em um palácio por volta do século V A.C. Uma noite, enquanto dormia serenamente com o filho ao seu lado, foi abandonada por seu marido sem nenhuma explicação. Um ato mundano que não teria maior relevância não fosse o tal marido o próprio Siddhartha Gautama, o “Buddha”.

Os relatos históricos afirmam que Buddha precisava se desapegar de tudo o que o prendia aos desejos do corpo e da mente e por isso decidiu partir sozinho. Nesse ponto, poderíamos até cogitar semelhanças entre esse fato e aquele ocorrido no conto clássico do cigarro. Uma noite, o marido saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou para casa. A diferença é que a intenção de Buddha ao abandonar o seu lar era alcançar a iluminação e, a partir disso, nos agraciar com seus ensinamentos acerca da origem dos sofrimentos humanos e principalmente como eliminá-los.

Pensando bem, Buddha retornou ao Palácio e reencontrou a princesa Yashodhara e seu filho. Ele foi prontamente perdoado por sua família, ainda segundo os relatos. Logo após, ela também buscou o caminho espiritual. Afinal, Yashodhara tinha outra escolha?

Sendo mulher e vivendo sob um sistema patriarcal arcaico, seria quase impossível para a princesa encontrar o “caminho do meio” fora do confinamento do palácio. Logo, seria possível que o sofrimento imposto pela ausência de seu grande amor tenha promovido em Yashodhara as mesmas transformações internas que levaram o Buddha à iluminação?

No livro “Joias Raras do Ensinamento Buddhista”, que traz uma coletânea de artigos organizada por Ricardo Sasaki, há uma passagem na qual se esclarece que a palavra Buddha significa despertar. Assim, ao abandonar seu lar de forma abrupta Buddha promoveu mudanças na realidade de sua esposa mesmo que tal fato não tenha sido premeditado. Ao buscar o seu caminho espiritual longe do palácio, ele também abriu uma porta para que Yashodhara se libertasse da ilusão que a cercava.

Dito isso, quem são as nossas “Yashodharas” contemporâneas? Quais suas escolhas após a dura constatação do abandono por iniciativa de seus parceiros? Dizem que sempre temos uma escolha frente aos desafios apresentados pela vida. Podemos nos entregar a um sofrimento sem fim ou buscar forças para transformar aquele momento em uma nova etapa de vida (muitas vezes bem melhor que a anterior).

Chico Buarque, em uma de suas famosas composições, profetiza “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz. Ao sentir que sem você eu passo bem demais”. Se as Yashodharas de hoje ainda não passam bem demais, pelo menos estão melhores do que na companhia de homens que não desejam estar ao lado delas. Seja a motivação de caráter nobre ou não.

Ficamos mais abertos para receber as bênçãos em nossas vidas quando aceitamos os acontecimentos difíceis sem resistência. Não foi o próprio Buddha que nos presenteou com o conceito de impermanência? Nada dura para sempre. Nem mesmo o sofrimento.

Adriana Abraham

Amanhã vai ficar tudo bem

Hoje talvez não.

Talvez hoje ainda vai te aumentar a vontade de querer morrer. Hoje você ainda vai se sentir idiota por ter respondido aquelas mensagens tão depressa; hoje você ainda vai se arrepender por ter colocado um apelido carinhoso no lugar do nome na agenda do celular. Hoje tudo isso e muito mais, mas amanhã não, porque amanhã vai ficar tudo bem.

Vai levar um tempo até que o vento volte a beijar seu rosto ao invés de te cortar feito navalha. Vai levar um tempo para que as coisas que te faziam bem parem de te fazer mal. Vai levar um tempo até que você entenda que lutar contra é desperdiçar sua força. Você vai levar um tempo para encontrar um lugar pra lembrança ficar em você.

Vai levar um tempo, mas o tempo vai levar e amanhã vai ficar tudo bem.

Vai doer até mesmo pra esperar a margarina fixar completamente no pão pela manhã; e as voltas da colher misturando açúcar no café vão parecer intermináveis. Um monte coisa ainda vai te desequilibrar e, no fundo, você sabe que vai. E tudo isso só acontece porque você é de verdade.

Você já passou por coisas parecidas antes. Você se frustra – e tem esse direito – mas sabe o quanto tudo isso faz parte. “Mas que merda, eu não sou obrigada a ter que ficar bem sempre, eu não esperava pelo que aconteceu!” – você tem toda razão ao pensar e se sentir assim. Você não deve fingir que está feliz enquanto se refaz aos cacos um por vez, mas você só vai melhorar quando aceitar.

Hoje as coisas podem não estar tão boas e por isso os vídeos de bebês sorrindo não tem tanta graça, mas amanhã vai ficar tudo bem. Hoje as músicas que te relaxam serão a passagem para a sua saudade repleta de desejo de voltar no passado, mas tem um monte de refrão novo te esperando para você cantar gritando.

Hoje você ainda vai ter que lidar com alguns fins. Vai ter que parar de seguir nas redes sociais, vai ter que desfazar amizade com alguns amigos, vai ter que deletar algumas fotos, vai ter que esconder ou atear fogo em alguns presentes; hoje você vai ter que passar por tudo isso, hoje você vai ter que se despedir para dar espaço a um novo olá, mas sabe, amanhã vai ficar tudo bem. Hoje você só precisa focar na paz para os seus dias.

Hoje você precisa lembrar das contas à pagar; precisa lembrar que nenhum emprego aceita atestado de saudade pra faltar. Hoje você precisa lembrar que antes de ontem você já tinha muitos motivos para comemorar. Hoje você precisa lembrar do que já viveu de bom para se motivar a viver algo ainda melhor. Hoje você não precisa se preocupar com nome e sobrenome, não precisa medir suas palavras e muito menos precisa encontrar indiretas pra postar; hoje você só precisa compartilhar coisas que você gostaria de receber.

Amanhã vai ficar tudo bem.

Deixe de se olhar no reflexo do vidro no metrô e olhe para um novo e bom livro no seu colo. Deixe de procurar o que não deseja encontrar. Vai passar. Você nem vai perceber quando isso acontecer, só vai se dar conta quando não for mais da sua conta. Hoje vai ser difícil, no entanto convenhamos: não são todos os dias os nossos preferidos; respire devagar, tenha pressa somente em se alegrar, deite seu corpo e levante sua alma pois amanhã vai ficar tudo bem.

Texto de Márcio Rodrigues